Zelensky condena acordo de Trump para importação de diesel russo

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, manifestou forte oposição ao recente anúncio feito por Donald Trump sobre um acordo para a compra de diesel da Rússia. Em declarações repercutidas pelo portal Axios, o líder ucraniano classificou a medida como “absolutamente terrível” e “injusta”, argumentando que a decisão compromete os esforços internacionais para conter o avanço militar russo.
O pacto, divulgado por Trump nesta sexta-feira (09.out.2026) via rede social, prevê a entrega de milhões de toneladas de combustível russo aos Estados Unidos nos próximos meses. A negociação ocorre em um momento crítico, logo após o aniversário de 74 anos de Vladimir Putin, o que levou Zelensky a ironizar a decisão, descrevendo-a como um “presente” ao Kremlin que, na prática, financia a continuidade do conflito.
Impacto econômico e motivações políticas nos Estados Unidos
A decisão de Trump é motivada pela pressão interna causada pela alta nos preços dos combustíveis, que atingiram patamares recordes após o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã. Com o galão de diesel chegando a US$ 6,52, o cenário gerou desgaste político significativo para os republicanos antes das eleições de meio de mandato, previstas para novembro.
Para o presidente norte-americano, a prioridade é reduzir os custos para agricultores, pecuaristas e caminhoneiros, setores fundamentais da economia dos Estados Unidos. O governo defende que o acordo é uma medida necessária para conter a inflação interna, ignorando as críticas sobre o fortalecimento da economia de guerra russa.
Tensões diplomáticas e ataques em solo ucraniano
A insatisfação de Zelensky é agravada pelo fato de que negociadores ucranianos estavam em Miami, reunidos com enviados de Trump, como Steve Witkoff e Jared Kushner, no momento em que o acordo foi tornado público. O presidente ucraniano afirmou que sua delegação foi utilizada como “cortina de fumaça” para a concretização do negócio.
A tensão escalou poucas horas após o anúncio, quando a Rússia realizou ataques aéreos que resultaram na morte de 12 pessoas, incluindo três crianças, no sábado (10.out). Zelensky reiterou que o acordo permite que a Rússia prolongue a guerra e intensifique ações que ele descreveu como “terror e perfídia”.
Repercussão negativa no Congresso americano
A medida também enfrenta resistência interna. O deputado republicano Don Bacon, de Nebraska, utilizou as redes sociais para criticar duramente a iniciativa. Segundo o parlamentar, apoiar a economia de guerra de Putin é um erro moral, uma vez que os recursos obtidos pela Rússia são diretamente revertidos em bombardeios contra cidades ucranianas.
Legisladores democratas também apontaram que o acordo contradiz uma lei sancionada pelo próprio Trump no mês anterior, que previa sanções severas contra o setor petroleiro russo. Embora a legislação conferisse ao presidente poder para abrir exceções, a decisão de utilizar essa prerrogativa para importar diesel gerou um debate intenso sobre a coerência da política externa norte-americana.