POLÍCIA

Negociações de paz para a Ucrânia em Miami são ofuscadas por acordo de diesel com a Rússia

Representantes dos Estados Unidos, da Ucrânia e de nações europeias reuniram-se em Miami na sexta-feira, 9 de outubro de 2026, com o objetivo de articular uma proposta conjunta para o encerramento da guerra na Ucrânia. O encontro, que buscou superar impasses diplomáticos prolongados, foi conduzido sob forte pressão de Washington por uma solução que interrompesse as hostilidades antes da chegada do inverno.

Impactos do acordo energético de Trump

O ambiente de negociação sofreu uma interrupção significativa devido a um anúncio realizado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no mesmo dia. Após manter contato telefônico com o líder russo, Vladimir Putin, o mandatário norte-americano revelou que a Rússia forneceria, de forma imediata, mais de 300 mil toneladas de diesel para os mercados globais e dos EUA, com um lote adicional de 500 mil toneladas previsto para novembro.

Para viabilizar a transação, o Departamento do Tesouro dos EUA emitiu uma licença temporária que autoriza a importação e venda do combustível de origem russa. A decisão gerou reações imediatas e críticas por parte de congressistas norte-americanos e do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Donald Trump justificou a medida alegando que os ataques ucranianos a refinarias russas teriam elevado os preços dos combustíveis, embora analistas apontem que o cenário global de energia já enfrentava instabilidades devido a conflitos envolvendo EUA, Israel e Irã.

Esforços diplomáticos em Miami

O enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, classificou as discussões como construtivas. Em publicação oficial, Witkoff destacou que o diálogo focou em caminhos para a desescalada do conflito e na construção de uma paz duradoura. O encontro reuniu o grupo E3, composto por França, Alemanha e Reino Unido, além de representantes da Comissão Europeia e da Otan.

A pauta do encontro em Miami foi ampla, abrangendo desde a resiliência energética e exportação de grãos até garantias de segurança a longo prazo para a Ucrânia. O grupo também debateu estratégias para a reconstrução econômica do país no pós-guerra e os passos necessários para uma eventual integração à União Europeia.

Desafios territoriais e a continuidade do conflito

Apesar da disposição para o diálogo, as negociações enfrentam obstáculos estruturais, especialmente no que diz respeito às exigências territoriais de Moscou. O governo russo mantém a insistência em controlar a região do Donbass, incluindo áreas que permanecem sob soberania de Kiev.

O presidente Volodymyr Zelensky mantém a postura de rejeitar qualquer concessão de terras, alertando que a ocupação russa — que atualmente abrange cerca de 1/5 do território ucraniano desde o início da invasão em fevereiro de 2022 — serviria apenas como base para futuras agressões. A urgência das conversas foi reforçada pela recente escalada da violência, marcada por um bombardeio em Kramatorsk que resultou na morte de 30 pessoas.

Fonte: poder360.com.br

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