Cidades

Ciência busca soluções inovadoras para proteger corais do aquecimento dos oceanos

Diante do aquecimento recorde dos oceanos, impulsionado pelo fenômeno El Niño e pelas mudanças climáticas, pesquisadores ao redor do mundo intensificam esforços para evitar o colapso dos recifes de coral. Instituições de renome, como a Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI) e a Universidade de Derby, estão testando estratégias que vão desde a bioacústica até a manipulação genética de microrganismos para garantir a sobrevivência desses ecossistemas vitais.

Bioacústica como ferramenta de restauração marinha

Uma das abordagens mais inovadoras ocorre no Caribe, onde cientistas utilizam alto-falantes subaquáticos para reproduzir sons de recifes saudáveis. A técnica, que inclui a gravação de estalos de camarões e ruídos de peixes, visa atrair larvas de coral para áreas degradadas. Estudos publicados na Royal Society Open Science indicam que larvas expostas a esses estímulos sonoros apresentam taxas de fixação significativamente maiores.

O bioacústico marinho Aran Mooney, líder do projeto, destaca que a presença sonora é um indicador natural de vitalidade. Ao mimetizar um ambiente próspero, a tecnologia oferece uma esperança para a repovoação de áreas que perderam sua biodiversidade original, funcionando como um sinalizador para que novas colônias se estabeleçam e cresçam.

Impactos do branqueamento e estresse térmico

Dados recentes apontam um cenário alarmante para a vida marinha. Entre 2020 e 2024, a cobertura de coral duro registrou uma queda de 9,5% em comparação ao período de 1980 a 2009. Somente em 2024, o recuo foi de 8,9%, refletindo o impacto direto das temperaturas marítimas extremas. O branqueamento ocorre quando o coral expulsa algas simbólicas essenciais, processo que pode levar à morte do organismo.

A geoquímica marinha Amy Apprill compara o estresse térmico repetido a uma sobrecarga biológica, onde o coral perde a capacidade de recuperação. Com eventos de branqueamento ocorrendo em intervalos cada vez menores, a resiliência natural dos recifes é colocada à prova, exigindo intervenções humanas mais agressivas para evitar a perda total desses habitats.

Estratégias de adaptação e o futuro dos recifes

Além da bioacústica, pesquisadores exploram a transferência de corais para águas mais profundas e frias e a inoculação de microrganismos protetores. O biólogo Michael Sweet estuda como o microbioma pode reforçar a resistência térmica dos corais, enquanto projetos de jardinagem focam na seleção de variedades mais tolerantes ao calor e à acidez, visando criar recifes mais preparados para um clima em transformação.

Apesar do avanço tecnológico, especialistas como Giovanni Strona alertam que a restauração isolada pode ser insuficiente sem uma mudança estrutural. A redução das emissões de gases de efeito estufa permanece como a prioridade absoluta. Modelos climáticos indicam que limitar o aquecimento global a 1,5 °C é a única forma de poupar a maior parte dos recifes de eventos recorrentes de branqueamento severo.

Fonte: cartacapital.com.br

Botão Voltar ao topo