Violência política de gênero registra salto de 11 vezes em quatro anos no Brasil
Os registros de violência política de gênero no Brasil apresentaram um crescimento expressivo nos últimos anos, saltando de 15 processos encaminhados à Justiça Eleitoral em 2022 para 177 casos registrados até setembro de 2026. O levantamento, realizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aponta um aumento superior a 11 vezes no volume de denúncias, evidenciando um desafio crescente para a integridade democrática e a participação feminina nos espaços de poder.
Ações judiciais e precedentes contra a violência de gênero
Diante do cenário de hostilidade, o TSE estabeleceu um marco importante em setembro de 2026 ao aplicar, pela primeira vez, a pena de suspensão de direitos políticos e inelegibilidade por violência política de gênero. A condenação recaiu sobre o vereador José Sebastião Rabello (Solidariedade), de Nova Friburgo (RJ), após o parlamentar proferir ofensas contra a vereadora Priscila Teixeira Pitta Muniz (PT).
Campanhas de conscientização e o papel das instituições
Para mitigar o avanço dessas práticas, o TSE e o Ministério Público Federal lançaram a campanha “Política é Substantivo Feminino”. A iniciativa busca informar a sociedade sobre os danos causados pela violência política contra mulheres e promover a conscientização sobre a necessidade de coibir comportamentos que visam silenciar ou constranger candidatas e detentoras de mandatos.
Responsabilidade partidária no enfrentamento de abusos
A advogada eleitoralista Isadora Oliveira destaca que a responsabilidade pela mudança não recai apenas sobre a Justiça, mas também sobre as estruturas partidárias. Segundo a especialista, é fundamental que os partidos criem canais internos de denúncia seguros e mecanismos de proteção contra retaliações, evitando que a pauta feminina seja tratada apenas como uma formalidade institucional.
Isadora Oliveira ressalta que a violência muitas vezes ocorre dentro da própria legenda, partindo de dirigentes ou colegas de partido que controlam recursos e decisões estratégicas. O combate efetivo exige, portanto, uma mudança cultural profunda, que impeça o descredenciamento e o afastamento de mulheres dos espaços de decisão política.
Desafios para a representatividade feminina no país
O Brasil enfrenta um cenário de baixa representatividade feminina, ocupando a 135ª posição em um ranking de 184 países, com apenas 17,5% de mulheres no Congresso Nacional. A disparidade também é evidente no âmbito municipal, onde mais de 700 cidades não possuem nenhuma mulher em cargos eletivos e apenas 16% das prefeituras são comandadas por mulheres, reforçando a urgência de políticas públicas voltadas à equidade de gênero.
Fonte: cartacapital.com.br