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CNBB reforça neutralidade eleitoral após polêmica envolvendo padroeira do Brasil

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, reafirmou nesta terça-feira (29.set.2026) sua posição institucional de não indicar candidatos ou partidos políticos em processos eleitorais. A entidade publicou um histórico de suas manifestações para esclarecer seu papel na vida pública brasileira, enfatizando que não possui vínculos com estruturas partidárias ou candidaturas específicas.

O posicionamento ocorre em um momento de tensão política, apenas dois dias após o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) alegar que integrantes da instituição teriam colaborado com o PT na disseminação de informações falsas. O boato em questão sugeria que o parlamentar pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, uma afirmação que não possui respaldo em propostas do candidato.

Esclarecimentos sobre a missão institucional

Em nota oficial, a CNBB destacou que sua atuação é guiada por princípios pastorais e documentos que orientam a participação dos cristãos na sociedade. A instituição sublinhou que, embora não apoie siglas, mantém um compromisso ativo com temas fundamentais, como a defesa da democracia, a dignidade humana, a justiça social e o combate à desinformação.

A entidade negou categoricamente qualquer participação, autorização ou produção de notícias falsas relacionadas ao pleito. Segundo a conferência, suas intervenções públicas derivam exclusivamente de sua missão evangelizadora, buscando sempre o bem comum e a responsabilidade no exercício do voto, conforme detalhado em seu posicionamento oficial.

Histórico de posicionamentos e combate à desinformação

Para fundamentar sua postura, a instituição compilou manifestações realizadas entre 2018 e 2026. O material resgata alertas feitos em anos anteriores sobre os riscos da polarização e da intolerância. Em 2018, os bispos já enfatizavam que o interesse nacional deve prevalecer sobre ideologias particulares, condenando a violência política.

Em 2022, a CNBB manifestou-se contrária ao uso da religião como ferramenta de marketing eleitoral. Já em 2024, o presidente da entidade, dom Jaime Spengler, reforçou que a corrupção é um elemento destrutivo que compromete a representatividade e a saúde das instituições democráticas no país.

Desdobramentos do caso da padroeira

A controvérsia sobre a padroeira do Brasil teve origem em um projeto de autoria do ex-deputado Victório Galli, e não de Flávio Bolsonaro. O candidato, que à época dos fatos atuava como deputado estadual no Rio de Janeiro, não teve participação na tramitação da proposta no Congresso Nacional.

Após o esclarecimento emitido pela CNBB no domingo (27.set), Flávio Bolsonaro agradeceu à instituição na segunda-feira (28.set). O parlamentar reiterou que a informação que circulava sobre a padroeira era falsa, encerrando, por ora, o embate público sobre o tema que mobilizou o debate religioso e político nos últimos dias.

Fonte: poder360.com.br

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