Fundo de florestas tropicais atinge US$ 7,3 bilhões com aporte britânico
O TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre) consolidou um avanço significativo em sua estratégia de financiamento ao atingir a marca de US$ 7,3 bilhões em compromissos internacionais. O montante foi alcançado após o Reino Unido formalizar um investimento de £ 400 milhões, valor equivalente a aproximadamente US$ 540 milhões. O anúncio ocorreu durante a Semana do Clima de Nova York, em evento paralelo à Assembleia Geral da ONU.
A iniciativa, idealizada pelo governo brasileiro, busca estabelecer um mecanismo de remuneração para nações em desenvolvimento que mantêm suas florestas tropicais preservadas. O modelo operacional prevê repasses anuais calculados por hectare, utilizando monitoramento via satélite para garantir a transparência e a eficácia da conservação ambiental.
Meta de capital e o gatilho norueguês
Para que o TFFF inicie suas operações de forma efetiva, o governo brasileiro estabeleceu a necessidade de captar US$ 10 bilhões em capital público. A expectativa é que esse patamar seja alcançado até 31 de dezembro deste ano. O prazo é uma condição estratégica imposta pela Noruega, que atua como a maior doadora do projeto, com um compromisso de US$ 3 bilhões.
Caso o fundo não atinja a meta estipulada até o fim do prazo, o investimento norueguês poderá ser comprometido. O objetivo de longo prazo do TFFF é ainda mais ambicioso: estruturar um ecossistema financeiro total de US$ 125 bilhões, combinando US$ 25 bilhões de fontes governamentais e US$ 100 bilhões provenientes do setor privado internacional.
Estrutura e suporte internacional
O fundo conta com o apoio técnico e institucional de órgãos como o Banco Mundial, além da participação de organizações da sociedade civil e comunidades locais. Uma das diretrizes centrais do mecanismo determina que, no mínimo, 20% de todos os pagamentos realizados pelo fundo sejam destinados diretamente a povos indígenas e populações tradicionais que habitam essas áreas.
Além do Brasil, que comprometeu US$ 1 bilhão, a lista de países que já anunciaram recursos inclui Noruega, Alemanha, França, Luxemburgo e Indonésia. O compromisso britânico foi oficializado pela ministra para a Transição Climática do Reino Unido, Katie White, em conjunto com o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco.
Financiamento público como alavanca climática
Durante os diálogos sobre financiamento da adaptação na sede das Nações Unidas, o ministro João Paulo Capobianco reforçou a importância do aporte estatal na viabilização de projetos ambientais. Segundo o representante brasileiro, o financiamento público atua como um catalisador indispensável para destravar o interesse e o fluxo de investimentos privados no setor.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende que o TFFF representa uma mudança estrutural no enfrentamento da crise climática global. Em declarações anteriores, o presidente enfatizou que a iniciativa não deve ser interpretada como caridade, mas como um investimento estratégico na preservação da humanidade e na mitigação dos riscos associados ao caos climático.
Fonte: poder360.com.br