Flávio Dino anula decisão de Mendonça sobre postagens envolvendo Flávio Bolsonaro
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), reverteu neste domingo, 27, uma decisão proferida pelo ministro André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A determinação original ordenava a remoção de publicações nas redes sociais que associavam o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a um antigo projeto de lei que visava retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.
Recurso e origem do debate jurídico
A decisão de Dino atende a um recurso apresentado pelo humorista Antônio Tabet. O influenciador foi alvo de uma representação movida pelo Partido Liberal (PL) após publicar um comentário crítico sobre a família do presidenciável em relação à figura religiosa. O debate ganhou força nas redes sociais após a menção, pela jornalista Maria Cristina Fernandes, da GloboNews, a um projeto de lei apresentado em 2007 pelo então deputado federal Professor Victório Galli, de Mato Grosso, que se encontra arquivado desde agosto de 2008.
Fundamentos da decisão de Dino
Para o ministro do STF, a censura prévia à publicação configuraria um risco direto à liberdade de expressão e à liberdade religiosa. Dino enfatizou que o Poder Judiciário deve atuar com extrema cautela durante o período eleitoral para evitar a imposição de danos irreparáveis ao debate público. Segundo o magistrado, impedir críticas dessa natureza, especialmente com caráter generalizante, fere o direito de milhões de fiéis de manifestarem seu apoio ao culto religioso.
Limites do debate político e liberdade de expressão
O ministro argumentou que, embora seja juridicamente admissível que candidatos ou seus apoiadores expressem oposição a determinadas convicções religiosas, eles não possuem o direito de impedir que suas próprias posições políticas sejam informadas e debatidas livremente pela sociedade. A decisão reforça a necessidade de instrução processual adequada antes de qualquer medida restritiva.
Ao concluir seu voto, Dino afirmou ser impossível identificar, na postagem do peticionário, um grau de ilicitude que justificasse medidas drásticas contra a liberdade de expressão. O magistrado ressaltou que a manutenção da decisão de Mendonça poderia gerar um efeito silenciador indevido sobre temas de interesse público. Para mais detalhes sobre o funcionamento do tribunal, consulte o portal oficial do STF.
Fonte: cartacapital.com.br