Lavrov defende assento permanente para Brasil e Índia no Conselho de Segurança da ONU
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, manifestou apoio oficial à inclusão do Brasil e da Índia como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. A declaração foi proferida neste sábado (26.set.2026), durante o debate geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, onde o chanceler representou o governo russo.
Durante seu discurso, Lavrov enfatizou a necessidade de ampliar a representação de nações da Ásia, África e América Latina no órgão deliberativo. Ao mesmo tempo, o diplomata expressou rejeição à concessão de assentos permanentes para outros países, com menção específica à Alemanha e ao Japão, que integram o G4 ao lado de Brasil e Índia na busca por uma reforma no colegiado.
Reorganização da governança global e multipolaridade
O chanceler russo descreveu o cenário internacional atual como um momento de mudanças tectônicas, no qual uma ordem mundial multipolar estaria emergindo. Segundo Lavrov, países do chamado Sul e Leste Global estão consolidando sua autonomia política e econômica, resistindo à pressão externa e assumindo maior responsabilidade pela segurança em suas respectivas regiões.
O ministro destacou fóruns como o Brics, a Comunidade dos Estados Independentes (CEI) e a Organização de Cooperação de Xangai como estruturas fundamentais para essa nova dinâmica. Para Moscou, esses grupos representam a chamada maioria global, que busca promover uma agenda internacional baseada em centros soberanos de desenvolvimento.
Críticas à política externa dos Estados Unidos
Grande parte do pronunciamento de Lavrov foi dedicada a críticas contundentes à postura de Washington. O ministro condenou o uso da força por parte dos Estados Unidos, citando intervenções na Venezuela e ações contra o Irã. Além disso, exigiu a retirada das restrições econômicas impostas a Cuba e a remoção do país da lista de Estados patrocinadores do terrorismo.
No que tange ao Oriente Médio, o chanceler criticou a atuação de Israel e reiterou a defesa russa pela criação de um Estado palestino. Lavrov alertou que a intensificação das atividades de assentamento na Cisjordânia inviabiliza a solução de dois Estados, o que, segundo ele, comprometeria a segurança de toda a região a longo prazo.
Tensões com a União Europeia e o conflito na Ucrânia
O governo europeu também foi alvo de questionamentos pelo chanceler russo. Lavrov acusou a União Europeia de exercer pressão indevida sobre a Sérvia em relação ao Kosovo e de atuar para frustrar negociações que poderiam encerrar a guerra na Ucrânia. O ministro destacou que o fornecimento contínuo de armas ocidentais a Kiev, com ênfase na participação alemã, prolonga o embate.
O Conselho de Segurança da ONU, composto atualmente por 15 integrantes — sendo cinco permanentes com poder de veto (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia) e dez eleitos para mandatos de dois anos —, permanece como o principal palco para essas divergências geopolíticas. O Brasil, que ocupou um assento não permanente pela última vez entre 2022 e 2023, mantém a reforma do órgão como uma de suas prioridades diplomáticas.
Fonte: poder360.com.br