Grupo conservador ligado a J.D. Vance buscou expansão no Brasil
A Rockbridge Network, organização privada de orientação conservadora fundada em 2019 pelo vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, e pelo empresário Chris Buskirk, articulou esforços para estabelecer operações no Brasil. A iniciativa, revelada pela jornalista Alexa Salomão na Folha de S. Paulo, envolveu contatos com figuras influentes do empresariado e da política nacional.
Articulação com elites empresariais e políticas
Documentos e relatos indicam que emissários do grupo norte-americano buscaram interlocução com nomes de peso, como o empresário Joesley Batista, da J&F, e o banqueiro André Esteves, do BTG. Além do setor privado, o movimento também alcançou o espectro político, com registros de encontros envolvendo os candidatos à Presidência Flávio Bolsonaro e Romeu Zema. Até o momento, os citados não formalizaram manifestações sobre os contatos.
Estrutura de financiamento e atuação estratégica
O plano de expansão da Rockbridge previa um modelo de adesão robusto, com contribuições que podiam atingir até US$ 1 milhão anuais. O aporte de capital seria viabilizado por meio de diversas modalidades, incluindo moeda fiduciária, criptoativos, ações societárias e estruturas de trusts. O grupo planejava atuar em três pilares fundamentais: o fortalecimento de veículos de mídia conservadores, o financiamento de movimentos estudantis em universidades e a prestação de consultoria técnica para parlamentares de direita.
Negativa e controvérsias sobre a operação
Apesar da estruturação jurídica, a assessoria da Rockbridge nos Estados Unidos afirmou que o projeto foi abortado. Em comunicado oficial, a organização declarou que a empresa criada no Brasil nunca recebeu recursos nem iniciou atividades operacionais. O grupo norte-americano alegou ainda que indivíduos brasileiros teriam utilizado o nome da instituição indevidamente, produzindo documentos sem o devido consentimento ou conhecimento da sede nos Estados Unidos.
Investigações e desdobramentos eleitorais
O episódio gerou repercussão no cenário eleitoral brasileiro. Em setembro, o candidato Renan Santos afirmou publicamente que a Rockbridge teria oferecido suporte à campanha de Flávio Bolsonaro, mencionando supostas negociações envolvendo recursos naturais. O caso resultou em movimentações jurídicas, com o deputado Lindbergh Farias acionando o Supremo Tribunal Federal para apurar a possível entrada de capital estrangeiro na disputa. Posteriormente, o PT solicitou ao ministro Flávio Dino a abertura de um inquérito para investigar uma possível interferência externa nas eleições de 2026.
Fonte: poder360.com.br