Delação de Daniel Vorcaro aponta suposto esquema de propina para grupo de Jaques Wagner

O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou em uma proposta de delação premiada que realizava pagamentos mensais de R$ 3 milhões em propina para um grupo político ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA). O conteúdo, revelado pelo portal Uol, detalha uma suposta articulação envolvendo o mercado de crédito consignado na Bahia.
A proposta de colaboração, no entanto, foi rejeitada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. Segundo as autoridades, os relatos apresentados pelo ex-banqueiro não foram acompanhados de elementos de corroboração suficientes para validar o acordo. As defesas do senador e dos demais citados negam as acusações e questionam a integridade do material.
Articulação financeira e o mercado de consignados
Segundo o relato de Vorcaro, a operação teria sido estruturada a partir de 2018, após o Banco Master adquirir participação na empresa PKL One. A companhia atuava como operadora do Credcesta, serviço de crédito consignado que ganhou tração após a Ebal, estatal baiana, ser arrematada em leilão pela NGV Empreendimentos, empresa que o delator atribui ao empresário Augusto Lima.
A estrutura do suposto esquema envolvia, conforme a delação, o pagamento de R$ 1 milhão em espécie a Guilherme Henrique Sodré Martins, apontado como operador de Jaques Wagner. Os repasses teriam persistido até novembro de 2025, data da liquidação do Banco Master. Além de dinheiro vivo, o delator mencionou o uso de contratos fictícios e distribuição de dividendos como formas de operacionalizar os valores.
O papel de Rui Costa e decretos estaduais
Embora a delação cite o senador e ex-chefe da Casa Civil, Rui Costa (PT-BA), em cinco ocasiões, o documento não explicita a relação direta do político com os pagamentos. A menção ao ex-governador da Bahia ocorre no contexto de decretos assinados por ele 16 dias após o leilão da Ebal. Tais atos ampliaram as possibilidades de exploração do Credcesta, tornando o negócio mais lucrativo.
Investigações e desdobramentos da operação Compliance Zero
A Operação Compliance Zero, iniciada em novembro de 2025, busca desvendar as conexões entre o Banco Master e o PT da Bahia. Até o momento, o acesso aos dados contidos nos dispositivos apreendidos de Daniel Vorcaro, Augusto Lima e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, permanece restrito ou sem divulgação de resultados concretos pelas autoridades.
As defesas dos envolvidos mantêm a posição de que as alegações de Vorcaro carecem de provas materiais. O ex-banqueiro, por meio de seus advogados, repudiou a divulgação dos anexos da proposta de delação, alegando não reconhecer a autenticidade e a integridade do material que veio a público.