Como Florianópolis transformou tecnologia e inovação em seu principal motor econômico
Há quatro décadas, Florianópolis iniciou uma transformação estratégica ao decidir ampliar suas fontes de receita, afastando-se da dependência de modelos tradicionais. Com uma geografia marcada por manguezais, restingas e lagoas, a capital catarinense optou por preservar seu ecossistema natural e apostar na produção de conhecimento. Essa escolha, consolidada em 1986 com a criação da incubadora Celta pela Fundação Certi, posicionou a cidade como um polo de inovação, priorizando o desenvolvimento de tecnologia em vez da indústria pesada.
A ascensão do setor tecnológico como força econômica
O crescimento do ecossistema de tecnologia na ilha consolidou o setor como um pilar fundamental da economia local. Em 2023, as atividades ligadas à área geraram mais de 98,7 milhões de reais em Imposto sobre Serviços, registrando uma alta de 92% em comparação aos 51,2 milhões arrecadados em 2020. Atualmente, as empresas do setor faturam mais de 12 bilhões de reais na cidade, que se consolidou como a Capital Nacional das Startups.
A infraestrutura urbana acompanhou esse avanço, contando hoje com dois parques tecnológicos e quatro centros de inovação, como o CIA Sapiens e o CIA Primavera. Estes espaços, frutos de parcerias entre a prefeitura e a Associação Catarinense de Tecnologia (Acate), oferecem suporte para que o setor continue em expansão, atraindo eventos de relevância internacional, como o Startup Summit, que movimentou centenas de milhões de reais em intenções de investimento na edição de 2026.
Rede de fomento e suporte ao empreendedorismo
O sucesso de Florianópolis é sustentado por um robusto aparato de fomento público e privado que acompanha as empresas desde a fase de pré-incubação até a internacionalização. A Fundação Certi, unidade credenciada pela Embrapii, desempenha um papel crucial ao financiar projetos de pesquisa aplicada, reduzindo os riscos tecnológicos para os empreendedores. Além disso, programas como o Fundo Garantidor da Acate e o Acelera Startup SC, que distribuiu 1,6 milhão de reais em 2026, garantem o suporte financeiro necessário para que ideias acadêmicas ganhem escala no mercado.
O caso Nanovetores e a validação global
A trajetória da Nanovetores, fundada em 2008 por Betina Zanetti Ramos, exemplifica a eficácia desse ecossistema. Nascida de pesquisas acadêmicas na Universidade Federal de Santa Catarina, a empresa enfrentou desafios iniciais para convencer o mercado sobre a viabilidade da nanotecnologia. Com o tempo, a companhia desenvolveu soluções inovadoras, como a encapsulação de ativos cosméticos em partículas de base aquosa, que hoje são utilizadas por gigantes globais como La Roche-Posay e Boticário.
O reconhecimento internacional culminou em 2022, quando a suíça Givaudan adquiriu 48% da empresa. Mesmo com a entrada de capital estrangeiro, o modelo de gestão foi preservado, permitindo que a empresa mantivesse sua sede em Florianópolis e expandisse seu quadro de funcionários. Esse sucesso projeta a cidade como um celeiro de tecnologias que, atualmente, atendem consumidores em mais de 150 países, consolidando o legado de inovação da capital catarinense.
Fonte: cartacapital.com.br