Rick, da dupla com Renner, morre aos 59 anos em queda de helicóptero em Santa Catarina
A música sertaneja brasileira perdeu nesta terça-feira, 22, um de seus nomes mais emblemáticos. Geraldo Antônio de Carvalho, conhecido nacionalmente como Rick, da dupla Rick & Renner, faleceu aos 59 anos após a queda de um helicóptero em Santa Catarina. A aeronave, que havia decolado de Porto Belo com destino a São Joaquim, desapareceu na segunda-feira, 21, sendo localizada pelos bombeiros apenas no dia seguinte. Não houve sobreviventes entre os cinco ocupantes, que incluíam também o empresário Bruno Avelar e o videomaker Paulo Soares.
Nascido em 1966 no atual Tocantins, então parte de Goiás, Rick construiu uma trajetória marcada pela versatilidade. Após a mudança de sua família para Brasília, o artista iniciou sua jornada em bares e casas noturnas, onde conheceu Ivair dos Reis Gonçalves, o Renner. A parceria, consolidada em meados da década de 1980, tornou-se um pilar do gênero sertanejo, evoluindo de um início independente para o estrelato nacional.
Evolução sonora e o legado de Rick no sertanejo
Ao ingressar no mercado fonográfico em 1992, a dupla encontrou um cenário dominado por grandes nomes como Chitãozinho & Xororó e Zezé Di Camargo & Luciano. Contudo, foi na segunda metade da década de 1990 que Rick & Renner imprimiram sua marca registrada. O sucesso avassalador de “Ela É Demais”, em 1998, não apenas consolidou a dupla, mas serviu como porta de entrada para uma fase de experimentação artística.
Com o álbum “Instante Mágico”, lançado em 1999, a dupla rompeu com a predominância das baladas românticas. Ao incorporar elementos de humor e sonoridades dançantes em faixas como “Muleca” e “Cara-de-Pau”, Rick & Renner anteciparam tendências que viriam a definir o sertanejo universitário anos mais tarde. Essa ousadia criativa permitiu que o repertório da dupla alcançasse um público diversificado, transcendendo as fronteiras tradicionais do estilo.
Intercâmbio de ritmos e parcerias marcantes
A capacidade de Rick em transitar por diferentes gêneros ficou evidente em colaborações que desafiaram o conservadorismo do mercado sertanejo. Um dos exemplos mais notáveis foi a parceria com o grupo de pagode Molejo na canção “Na Pontinha do Pé”. A união de dois dos gêneros mais populares do país na época demonstrou a visão estratégica de Rick, que buscava constantemente renovar sua identidade musical.
Essa abertura para influências externas, como o forró e o pop, não foi um movimento isolado. Artistas contemporâneos, como Leandro & Leonardo, também exploravam novos caminhos, mas a dupla Rick & Renner destacou-se pela consistência na mistura de ritmos. Essa trajetória de inovação foi fundamental para manter a relevância da dupla em um mercado altamente competitivo e em constante transformação.
Atuação nos bastidores como compositor e produtor
Além de sua voz, Rick deixou um legado expressivo como compositor e produtor. Sua influência estendeu-se a diversos artistas consagrados, com composições gravadas por nomes como Bruno & Marrone e João Paulo & Daniel. Ele atuou ativamente na renovação de carreiras de gerações anteriores, sendo peça-chave na revitalização da dupla Gino & Geno, especialmente na produção da música “Bebo Pa Carai”, de 2005.
Com mais de 10 milhões de discos vendidos ao longo de sua carreira, Rick consolidou-se como uma das figuras mais influentes do sertanejo. Mesmo com as interrupções na parceria com Renner, como o anúncio da separação no final de 2010, ele manteve sua produção artística constante. Sua transição para a carreira solo como Rick Sollo e a exploração de novos projetos musicais reafirmaram seu compromisso com a música até seus últimos dias, conforme reportado pelo Jornal Opção.
Fonte: jornalopcao.com.br