Cidades

Lula intensifica disputa digital contra Flávio Bolsonaro e altera estratégia nas redes

A campanha do presidente Lula (PT) promoveu uma mudança significativa em sua atuação nas redes sociais nas últimas semanas. Além de adotar formatos mais dinâmicos e adaptados às plataformas digitais, o grupo político passou a confrontar diretamente a estrutura de comunicação de Flávio Bolsonaro (PL). A disputa, que antes se restringia à busca por engajamento, agora envolve também questionamentos sobre os métodos de disseminação de conteúdo eleitoral na internet.

O movimento ocorre em um momento decisivo, com a proximidade do primeiro turno das eleições. A estratégia petista busca não apenas ampliar o alcance do presidente, mas também desconstruir a hegemonia que o bolsonarismo construiu historicamente no ambiente digital, utilizando para isso uma combinação de ações jurídicas, produção de conteúdo especializado e ataques políticos focados no adversário.

Ação no TSE e o questionamento sobre o uso de collabs

No domingo 20, a coligação de Lula acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para solicitar uma investigação sobre o uso de perfis em publicações conjuntas, conhecidas como “collabs”, vinculadas à campanha de Flávio Bolsonaro. Segundo a representação, a equipe petista identificou 1.826 dessas publicações envolvendo 492 perfis distintos.

A argumentação central da ação é que parte dessas páginas estaria atuando de forma coordenada para ampliar o alcance de conteúdo eleitoral. Em alguns casos, a campanha aponta que o direcionamento dos usuários estaria sendo feito para produtos ligados à campanha do senador. O caso aguarda análise da Justiça Eleitoral, enquanto o cronograma eleitoral avança para a reta final.

Mudança de linguagem e novas táticas de engajamento

Para ocupar um espaço digital historicamente favorável ao campo bolsonarista, o PT passou a investir em formatos nativos, como vídeos de “react” e transmissões ao vivo mais frequentes. A aposta é abandonar a simples adaptação de conteúdos televisivos para a internet, focando em materiais verticais desenhados para o consumo ágil em plataformas como Instagram, TikTok e YouTube.

Os resultados preliminares indicam uma reação positiva. Dados divulgados pela campanha mostram que, em um recorte semanal, o perfil de Lula superou o de Flávio Bolsonaro em interações no Instagram. Além disso, um levantamento da Ativaweb apontou um crescimento de 38,24% no engajamento do petista entre 7 e 14 de setembro, período em que o índice do senador apresentou queda de 7,35%.

Confronto político e exploração de episódios controversos

A estratégia de comunicação da campanha petista também se consolidou na comparação direta entre os candidatos. O caso envolvendo o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, relacionado ao filme Dark Horse, tornou-se um dos pilares da propaganda contra o adversário. O PT tem utilizado áudios e episódios específicos para questionar a conduta de Flávio Bolsonaro.

Além disso, a campanha tem resgatado pautas críticas da gestão de Jair Bolsonaro, como a condução da pandemia e questões ambientais. A orientação é que candidatos aliados explorem esses contrastes, mantendo a pressão constante sobre o adversário e tentando pautar o debate público nas redes sociais com temas que desgastam a imagem da oposição.

Fonte: cartacapital.com.br

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