Greve na Caixa continua após rejeição de terceira proposta de acordo

Os funcionários da Caixa Econômica Federal decidiram manter a greve nacional após rejeitarem, pela terceira vez, a proposta apresentada pelo banco para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). O resultado das assembleias, realizadas via plataforma eletrônica, foi consolidado nesta segunda-feira (21.set.2026), com o encerramento das votações às 18h.
A paralisação, que já acumula 12 dias de duração, teve início em 10 de setembro. Com a negativa da categoria em diversos estados, o movimento grevista permanece ativo, mantendo o impasse entre a gestão da instituição financeira e o corpo funcional sobre as condições de trabalho e benefícios para o próximo biênio.
Detalhes da proposta rejeitada pelos bancários
A terceira oferta da Caixa buscava atender demandas históricas dos trabalhadores, incluindo ajustes no custeio do plano de saúde. Entre os pontos centrais, o banco propôs elevar de 6,5% para 9% a participação da instituição no custeio do Saúde Caixa a partir de 2027, além de manter o modelo solidário que integra ativos, aposentados e pensionistas.
O texto também previa a exclusão da cobrança diferenciada por faixa etária e o pagamento de um prêmio extraordinário de R$ 3.000, condicionado ao atingimento do Índice de Eficiência Operacional (IEO) de 2026. Além disso, a proposta incluía alterações na Promoção por Mérito e avanços em temas como carreira, saúde do trabalhador e direito à desconexão.
Contexto da negociação e o ACT específico
O Acordo Coletivo de Trabalho da Caixa funciona como um complemento à Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos bancários, assinada em 9 de setembro pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Enquanto a CCT estabelece diretrizes gerais para o setor, como reajustes salariais e vales, o ACT trata de particularidades da estatal, como a estrutura do plano de saúde e regras específicas de Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
A necessidade de um acordo próprio decorre das condições singulares de trabalho na Caixa. O período de vigência pretendido para este novo ACT compreende de 1º de setembro de 2026 a 31 de agosto de 2028, alinhando-se à validade da CCT vigente.
Principais pontos de divergência no impasse
O Saúde Caixa permanece como o epicentro das tensões entre as partes. Embora a terceira versão da proposta tenha recuado em pontos sensíveis, como a cobrança por idade, a categoria considerou as condições insuficientes para encerrar a mobilização. A manutenção da paralisação reflete a resistência dos empregados em aceitar os termos de custeio e as mudanças propostas na remuneração base e contribuições para o plano de saúde.