POLÍCIA

Médica é afastada após orientar subnotificação de casos de dengue em Goiânia

Afastamento profissional após denúncia de irregularidades

Uma médica que atuava na rede pública de saúde de Goiânia foi afastada de suas funções após a divulgação de mensagens em um grupo de aplicativo de mensagens. O conteúdo revelava orientações da profissional para que colegas de profissão evitassem registrar o CID de dengue nos atendimentos realizados, sugerindo a utilização de códigos similares, como o B09, para evitar que os dados fossem contabilizados nas estatísticas oficiais do município.

A denúncia, que ganhou repercussão após ser revelada pelo portal Mais Goiás, apontou uma tentativa deliberada de manipular os indicadores epidemiológicos. Nas conversas, a profissional argumentava que a subnotificação seria uma estratégia para evitar que o aumento de casos fosse utilizado como argumento para decretar uma situação de calamidade pública ou confirmar uma epidemia de dengue na capital goiana.

Impactos da manipulação de dados epidemiológicos

A prática de omitir diagnósticos corretos em prontuários médicos compromete diretamente a transparência das políticas públicas. A notificação compulsória de doenças é um pilar fundamental do Sistema Único de Saúde (SUS), permitindo que gestores identifiquem surtos, aloquem recursos financeiros e planejem ações de combate aos vetores de forma eficaz. Quando esses dados são alterados, a resposta do poder público torna-se ineficiente diante da real necessidade da população.

O episódio gerou indignação entre especialistas em saúde pública, que ressaltam a gravidade ética e administrativa da conduta. A manipulação de registros médicos não apenas mascara a realidade sanitária, mas também coloca em risco a segurança dos pacientes, que podem receber tratamentos inadequados caso o diagnóstico correto não seja devidamente documentado e processado pelos sistemas de vigilância epidemiológica.

Desdobramentos administrativos e medidas do município

Diante da gravidade dos fatos, o prefeito Sandro Mabel tomou medidas imediatas em relação ao contrato da profissional. A decisão oficial confirmou o rompimento do vínculo de trabalho com a médica. Embora a punição administrativa tenha sido aplicada, houve um desdobramento jurídico específico: a anulação de uma cláusula que impedia a profissional de firmar novos contratos com o município futuramente.

O caso segue sob análise das autoridades competentes, que buscam identificar se outros profissionais aderiram à orientação de subnotificar os casos. A Secretaria de Saúde de Goiânia reforçou a importância da veracidade das informações inseridas nos sistemas de saúde e garantiu que apurações internas continuam sendo realizadas para assegurar a integridade dos dados epidemiológicos da cidade.

Fonte: maisgoias.com.br

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