Justiça condena dois policiais militares pela morte do advogado Davi Sebba em Goiânia
Após 14 anos de tramitação judicial, o Tribunal do Júri de Goiânia proferiu sentença condenatória contra dois policiais militares envolvidos na morte do advogado Davi Sebba Ramalho. O caso, que remonta a uma abordagem realizada em 5 de julho de 2012 no estacionamento de um supermercado na Avenida T-9, encerra um dos mais longos processos sobre letalidade policial no estado de Goiás.
O Conselho de Sentença estabeleceu penas distintas para os réus, reconhecendo diferentes graus de responsabilidade na operação que resultou no disparo fatal contra a vítima. Enquanto um dos agentes foi responsabilizado pelo homicídio qualificado, o oficial que comandava a equipe recebeu condenação por homicídio simples e porte ilegal de arma de fogo.
Execução e condenação pelo disparo fatal
Jonathas Atenevir Jordão, que na época dos fatos atuava como soldado no serviço de inteligência da Polícia Militar de Goiás, foi condenado a 12 anos de prisão. Identificado como o autor do tiro que atingiu o peito de Davi Sebba, Jordão não negou o disparo, alegando em sua defesa que agiu após a vítima ter supostamente manuseado um objeto que ele interpretou como ameaça.
O laudo cadavérico confirmou que o projétil causou uma lesão cardíaca fatal, levando ao tamponamento cardíaco. Embora a defesa dos policiais tenha sustentado a tese de confronto, a investigação apontou a ausência de entorpecentes com a vítima e elementos que sugeriam uma execução. Em 2022, o Tribunal de Justiça de Goiás reconheceu a qualificadora de recurso que dificultou a defesa da vítima, fator determinante para a condenação pelo Tribunal do Júri em outubro de 2026.
Responsabilidade do comando na operação
Edinailton Pereira de Souza, que ocupava o posto de tenente durante a ação, foi condenado a 10 anos de reclusão. Responsável por coordenar a equipe enviada ao local após receber ordens superiores, Edinailton participou ativamente da abordagem e admitiu ter efetuado disparos contra os pneus do veículo de Davi após ouvir o tiro inicial.
Os jurados entenderam que a participação do oficial na dinâmica da abordagem foi suficiente para configurar sua responsabilidade criminal, embora tenham afastado a qualificadora aplicada a Jordão. Diferente do soldado, Edinailton permaneceu nos quadros da corporação ao longo dos anos, alcançando a patente de major e exercendo funções em áreas de inteligência do Estado-Maior da PMGO até o período recente do julgamento.
Desfecho do julgamento e absolvição
O processo também analisou a conduta de um terceiro réu, Luiz Frederico de Oliveira, que foi absolvido pelo Conselho de Sentença. A decisão final reflete a complexidade da apuração, que atravessou mais de uma década de recursos e análises periciais sobre a conduta dos agentes públicos envolvidos na ocorrência.
Para mais detalhes sobre o histórico do caso e as decisões judiciais, consulte o portal Jornal Opção, que acompanhou o desdobramento das investigações ao longo dos anos. A sentença marca um ponto final na disputa judicial, consolidando a responsabilização penal dos dois policiais militares pela morte do advogado.
Fonte: jornalopcao.com.br